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MEDULA ÓSSEA: A DOAÇÃO QUE SE FAZ EM VIDA
Procedimento simples, a doação de medula óssea não acarreta qualquer risco e pode ajudar a salvar 3 mil pacientes que aguardam um doador compatível
Na tarde de 19 de março deste ano, Bruno Bukvic, 23 anos, ao receber o resultado de um exame sangüíneo foi surpreendido com a notícia de que era portador de leucemia. O jovem travava aí uma luta contra a doença, ao mudar a rotina e encarar sessões de quimioterapia e outros cuidados médicos.
O tratamento indicado para sua doença é o transplante de medula, que idealmente deve ser feito se houver 100% de compatibilidade com o doador. As chances de uma medula compatível são maiores entre pessoas da mesma família do paciente, principalmente entre irmãos - um desafio para Bruno e cerca de 3 mil pacientes cadastrados no Registro Nacional dos Doadores de Medula Óssea.
Dr. Jorge Vaz, hematologista do Centro de Câncer de Brasília e Coordenador de Transplante de Medula Óssea do Hospital Santa Lúcia, explica que o procedimento é fundamental para a recuperação do paciente, já que permite a regeneração da medula, responsável pela produção de hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas. "Essas células ocupam-se de transportar oxigênio do pulmão para os demais tecidos do corpo, proteger o organismo contra agentes infecciosos, como vírus e bactérias, e evitar sangramentos", esclarece.
O transplante pode ocorrer de duas formas: autogênico, quando a medula provém do próprio indivíduo transplantado (receptor) e alogênico, se for de um outro indivíduo (doador) - como é o caso de Bruno. Segundo Dr. Vaz, a doação é um procedimento médico simples, no qual, sob anestesia, retiram-se até 10% da medula óssea do doador, através de punções ósseas na bacia. "O fato de retirar a medula não oferece nenhum risco porque em poucas semanas ela estará recuperada. E o mais interessante é que, por ser regenerativa, permite sucessivas doações", completa o especialista.
Para ser um doador é preciso comparecer a qualquer hemocentro para coleta de uma amostra de sangue. Dela se extrai o DNA para identificar uma seqüência, que fica cadastrada no Registro de Doadores de Medula (Redome), que atende todo o Brasil. A chance de encontrar doador no registro nacional é de cerca de 50%. É tão grande o desafio que entre as 780 mil pessoas já cadastradas no País nenhuma ainda foi compatível com Bruno.
Por conta disso, a família do estudante iniciou uma mobilização em escolas do Distrito Federal. Além de buscar um doador compatível, atuam de maneira decisiva para conscientizar a população. "A doação é de uma grandeza indescritível. Diferente de outros tipos de doação, essa é a mais verdadeira porque é feita em vida", argumenta o estudante, que tem a expectativa de realizar a cirurgia em quatro meses graças a um doador registrado no Banco Internacional.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal também tem promovido ações para incentivar a doação. Um estande foi montado no Parque da Cidade, em outubro, para ajudar a formar um banco de cadastro de doadores de órgãos e tecidos. Na oportunidade, foram recolhidas 200 amostras de sangue para testar a compatibilidade entre eventuais doadores e pacientes. O Hemocentro de Brasília realiza a coleta de segunda a sábado, das 7h às 18h. Podem ser doadores pessoas com idade entre 18 e 55 anos.
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Carla Furtado
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